quarta-feira, 14 de junho de 2017

O CÉU DEVE SER ASSIM



 Collado
O CÉU DEVE SER ASSIM

Da estrada atravessava-se,
a porta era larga aferrolhada,
entrava-se, a sala espaçosa.
Numa mesa de pinho esbetonada
cortava, pesava e vendia
a broa de milho cozida pela manhã,
a avó Maria.
Ao fundo uma balança decimal,
um conjunto de pesos,
era preciso confirmar
os quilos de farinha
deixados pelo moleiro.
No canto esquerdo
as pipas de vinho americano,
fortalecido com ovos e toucinho.
Passado o salão
a cozinha à lavrador,
imponente, robusta,
perfilhava-se a masseira,
o forno, a lareira, o peal
Era eu uma menina assustadiça
de cinco anos apenas.
Ao fim do dia,
nesta casa fria,
acendia-se a lareira,
A avó numa panela de ferro
aquecia a água do banho
Metia-me numa bacia,
esfregava-me com um minúsculo,
cheiroso, sabonete Patti.
Secava-me com um lençol de linho
passado na clareira do brasido.
O céu deve ser assim
uma avó dando banho à sua neta,
em água tépida,
aconchegando-a um lençol quente,
embalando-a até  que adormeça.

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